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o meu laboratório

No tubo de ensaio estão as minhas experiências e emoções. Da reflexão, aprendizagem e partilha, nascerá a fórmula da minha realização.

o meu laboratório

No tubo de ensaio estão as minhas experiências e emoções. Da reflexão, aprendizagem e partilha, nascerá a fórmula da minha realização.

Organizações

21.10.21

Quando penso no meu futuro profissional, assumo que passará pelas organizações. E assumo-o com um nível alto de certeza porque é lá que estão as pessoas, elemento obrigatório para que me sinta feliz e realizada em contexto de trabalho.

Este ano, em formato alternativo, tem sido uma aprendizagem no que toca às organizações também.

Releio o meu post de 19 de Maio "Hoje não é um dia bom" e, cinco meses depois, rio-me da minha confusão mental do momento e da razão do meu bloqueio: "Há fortes probabilidades do meu futuro passar novamente pelas "organizações"", escrevia eu em lágrimas.

Como é bom pôr a nossa visão e experiências em perspectiva...

Na altura, a minha diabolização com as "Organizações" era na realidade focada nas empresas. Toda a minha experiência profissional passou por este contexto, e por isso, toda a minha dor e mágoa centrava-se neste formato. Dizia "Não quero voltar aos ambientes tóxicos, às hierarquias, às politiquices e cinismos." com a certeza que estes atributos eram exclusivos das empresas. 

Mas não são.

Sobretudo neste últimos dois meses - período em que voltei à gestão, em contexto de voluntariado - percebi que as organizações são de facto as pessoas. As pessoas que integram uma organização, podem sobrepor-se ao seu propósito, à estratégia da gestão e inclusivamente, moldar a sua cultura. Para o bem e para o mal.

Descobri que os ambientes tóxicos, as politiquices e os cinismos, são próprios dos seres humanos e não das organizações. Que a resistência à mudança, os pequenos poderes, o boicote e a mentira encontram lugar em qualquer grupo organizado de pessoas. Que uma (boa) liderança, comunicação e gestão humanizada são ferramentas essenciais para que uma organização se mantenha focada no seu caminho e permeável aos interesses individuais e, por vezes, obscuros. E que os "bons" também se cansam de lutar quando percebem o sistema está viciado.

E ainda bem que percebi tudo isto, agora que começo a piscar o olho a novos projectos e ao meu futuro. Sinto que este momento "estranho" aponta para uma mudança e que, apesar de acontecer muito antes do que imaginava, não é por acaso. 

No entretanto, muitas lições aprendidas e muitas mudanças consolidadas. Cada vez são menos os dias onde sinto que falta tudo e cada vez mais os que sinto que está a acontecer.

Quanto às organizações, venham elas! Já sei o que quero :)

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Mulheres com super poderes

12.10.21

Ontem acabei as cinco temporadas duma série muito engraçada no Netflix, mais uma boa recomendação do Twitter.

Supermães é leve e divertida, uma óptima distracção para 20 minutos de pausa. Foi a minha companhia nas últimas semanas, à hora do almoço ou ao fim do dia, depois de um turno mais exigente, a precisar de uns minutos de descanso.

Escrevo sobre esta série porque apesar de "leve", pôs-me muitas vezes a reflectir sobre a vida e a maturidade. Com muita inteligência e humor, retrata uma série de experiência que fazem parte do crescimento de muitas mulheres, sobretudo após serem mães.

Vi as peripécias destas mulheres e revi-me inúmeras vezes em situações da minha vida (algumas delas nada divertidas quando passadas na primeira pessoa) e tantas outras que não sendo pessoais, são facilmente reconhecíveis no contexto da vida de uma mulher actual - seja ela urbana ou rural, solteira ou casada, mãe ou filha...

"A brincar, a brincar, se dizem as verdades" é um bom ditado para esta série. São muitas as situações em largamos umas belas gargalhadas, mesmo quando uma das personagens passa pelos maiores apuros ou comete erros crassos. E se, por acaso, já passámos por alguma dessas situações, o riso é nervoso :)

Sendo uma sátira, é também uma homenagem às Mulheres. Às guerreiras, às conservadoras, às workaholic, às timidas, às (des)organizadas, às obstinadas, às indecisas... às Mulheres, independentemente da sua forma ou feitio.

Sem grande surpresa, a minha personagem favorita é a Kate, mulher frontal, descomplicada e apaixonada pelo trabalho. Anda sempre a mil, em busca da realização, e quando confrontada com os infortúnios da vida - como a perda de um pai ou uma separação - opta sempre por se focar no trabalho e adoptar uma postura "operacional", em vez de parar e olhar para a dor que a consome. 

Tal como a Kate, a certa altura da minha vida, enebrei-me pelo "sucesso" e coloquei os desafios profissionais na primeira linha das minhas prioridades. Troquei os pés pelas mãos e paguei caro, mesmo quando insistia em não o reconhecer. Tantas noites sem dormir tinham sido evitáveis, mas tive de as passar em branco para aprender a lição e crescer.

A Kate, a Anne, a Frankie, a Jenny e a Val são figuras de ficção. São também um bom retrato das super-mulheres que populam o mundo, com os seus poderes de esposas, mães, filhas, profissionais, lutando todos os dias num mundo desigual.

Nós, as mulheres reais, também somos Super-Mulheres, mas por vezes esqueçemos-nos disso. Esta série é óptima para nos relembrar dos nossos super poderes e como cada fase da nossa vida nos apresenta diferentes kryptonites para nos quebrar.

A todas as Mulheres, um bem haja!

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